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M. C. Escher, o sucesso

O M. C. do momento em São Paulo não faz “funk carioca”. Maurits Cornelis Escher (1898-1972) é o tema da exposição no Centro Cultural Banco do Brasil.

O gênio do ladrilhamento e das provocações de perspectiva tem sem dúvida apelo popular. Parafraseando o camarada Guilherme Chiapetta, “o mercado de tatuagens vai experimentar um ‘boom’ de Escher neste ano”.

Porém, nos feriados do mês passado, o sucesso deve ter ido um pouco além do planejado. Tentei visitar a mostra na sexta-feira, 22 de abril, mas as filas eram suficientemente desanimadoras. Os profissionais da organização pareciam despreparados para o público que acorreu maciçamente ao evento.

"Sonho" (1935)

(Nota metodológica: para o CCBB de São Paulo, filas de menos de dez minutos por andar são suficientes para lotar as escadarias e os espaços livres do edifício. É pouco na comparação com as chamadas “megaexposições”, no entanto o propósito deste texto é justamente refletir sobre o potencial popularizador do autor holandês. Mais de uma vez ouvi comentários sobre como uma tal exposição poderia ter sido instalada no amplo espaço da Oca, mas sabemos que esta curadoria não foi pensada para isso.)

Dei-me por satisfeito com a visita somente ao subsolo do CCBB, ciente da possibilidade de  ver o restante num dia de semana.

Num dia de semana, tive a oportunidade de divertir-me com jogos de espelhos e outras instalações baseadas na obra de Escher. Se não fossem uma equipe de televisão e duas excursões escolares, o ambiente estaria vazio.

Tiro duas conclusões óbvias:

  • Escher poderia suscitar grandes debates sobre os conceitos de autoria e reprodutibilidade (com seus autorretratos ao espelho, com seus padrões), sobre a arbitrariedade quanto a “que é arte” (se ele é “artista plástico” ou “artista gráfico”) e sobre a perspectiva como convenção (que ele desafia). Mas isso requer mais cuidado, mediação. Quiçá uma exposição maior?
  • Não recomendo a visita à mostra no feriado.

O Mundo Mágico de Escher
Terça a domingo, das 9h às 20h
No CCBB-SP, até 17 de julho

"Levar um boneco à exposição é coisa da década passada" (2011)

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