Categorias
arte cinema jogo teatro

O filé em tabletes

A abertura do FILE

A cerimônia de abertura do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica foi concisa: duas apresentações no palco e um vídeo.

O vídeo era um trecho de The Lost Thing, baseado em livro infantil homônimo e ganhador do Oscar deste ano na categoria curta-metragem de animação. Esse destaque da seleção de filmes do evento dá conta do papel pedagógico, disseminador de cultura que o festival tem cumprido ao longo dos anos.

As performances,  ambas tronescas, tinham forte apelo estético, no sentido mais presente em toda a curadoria do evento: luzes e sons impressionantes para explorar alguma novidade técnica.  Pelo traje e pela música, os franceses da Euphorie devem agradar a fãs de Daft Punk.

O iPad

Uma das novidades deste ano é uma seleção de aplicativos para iPad. A curadora Maria Eugênia Mourão privilegiou experiências estéticas em que o toque dos dedos na telinha influencia sequências de imagens e sons.

Na noite de estreia, muitos convidados viam pela primeira vez esse computador sem teclado nem mouse; vi-me obrigado a ajudar os mais velhos a desenhar, empurrar desenhos com a ponta dos dedos e brincar com o tablete.

Seleciono, como exemplar desses experimentos com o novo suporte, OscilloScoop, em que se pode editar música desenhando na tela. Para quem gosta de tipografia, o Dance Writer poderia ser divertido se rendesse composição de texto (talvez decepcione quem está interessado na “dança” do título).

A exposição

Quem já foi a uma exposição do FILE sabe o que esperar (e vai encontrá-lo): aplicações estéticas de entretenimento de técnicas recentes. Alguma inteligência artificial está lá; o quadradinho feio da realidade aumentada está lá; é um parque de interações. Um exemplo típico e interessante é Algorithmic Search for Love, de Julian Palacz, em que uma busca por palavras rende cenas de filmes em que essas palavras são proferidas.

Quanto aos jogos propriamente ditos, temos belezas despretensiosas e obras “cabeça” como The Path (aquele horror independente que Marie-Laure Ryan comentou por aqui).

Mas o que rende discussão sobre o lúdico e a cultura são dois produtos que não estão na seção “games”. De volta aos tabletes, o Multipong faz pensar sobre a origem dos jogos eletrônicos com seu visual de madeira e metal; uma “máquina” de pinball de madeira e borracha faz seu justo contraponto.

"Máquina/Brinquedo", do Coletivo Coletores.
Minha bolinha voou exposição afora. Isso quer dizer que venci a máquina?

Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

Centro Cultural FIESP – Ruth Cardoso

Avenida Paulista, 1313

Até 21 de agosto – entrada gratuita.

2 replies on “O filé em tabletes”

Muito bom comentário.
O FILE é a grande sensação brasileira, sem dúvida alguma.
Sempre quando penso em aplicativos, e hoje, cada vez mais com o que alguns pensam e falam nos portáveis, móveis & Cia, me vem à mente as palavras do filósofo grego:
“Se mãos bois tivessem, também grafariam”.
Abrax
LCPetry::

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s