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No passo do Jabuti

Fui assistir à cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti na noite de 30 de novembro. Algumas pessoas torceram o nariz quando eu contei.

Certos críticos dizem que o prêmio não tem legitimidade, dá mais importância a critérios políticos e comerciais do que ao mérito dos livros. Outros apenas apontam casos como o da biografia Alceu Penna e as garotas do Brasil, desclassificada da competição depois de ter sido anunciada como vencedora em sua categoria, como exemplo de desorganização. Mas não podem negar que o Jabuti ainda é o principal prêmio literário brasileiro, por seu alcance, pela tradição que autores e editores ajudaram a construir com ele.

Mas outras pessoas ainda, mais “descoladas”, desprezam o evento de premiação por uma razão mais imediata: não há espetáculo, há pouco mais que uma oportunidade para profissionais do ramo trabalharem suas “redes de relacionamento”.

Onde se funde a cultura à massa

Um prêmio como esse tem o papel de popularizar pérolas da cultura brasileira, aproximando as ciências e as artes do conhecimento geral. Certamente foi esse papel de “ponte” que definiu a escolha do apresentador do evento, Pedro Bial: trata-se do homem que leva poesia aos reality shows, em outras palavras que “eleva o pior da TV”.

Na premiação do Jabuti, o apresentador aborrecia-se com o tempo de espera entre a chamada dos vencedores (conhecidos desde outubro), o recebimento das estatuetas e as poses para fotos protocolares. Aparentemente, a plateia também.

Chegando ao final do evento, laureados e acompanhantes já haviam debandado antes do auge: o anúncio dos dois prêmios não revelados previamente, os de livro do ano (de ficção e não ficção).

Laurentino Gomes ganhou o prêmio de livro do ano de não ficção com 1822. Na categoria artística, não foi exatamente uma surpresa a vitória de Ferreira Gullar, com Em alguma parte alguma. Não estou falando de mérito; apostei nele porque o autor de 81 anos e voz fraca estava lá!

Gullar repetiu seu bordão: “fazemos arte porque a vida não basta”. Ele tam razão. E fico pensando se a vida dos escritores é em geral mais chata que a dos outros artistas.

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