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academia queime minha língua

Dia 3 – Não é um blog, é um sítio

Feliz Semana Mundial do Brincar!

Certamente muita gente só está amadurecendo para a Internet nesta quarentena. Gente que achava que, no mar de informação, pouco importava onde se agarrar. De fato opiniões e ciência se confundem quando navegamos, dados importantes afundam no meio de propaganda e cantos de sereia que já cessaram de nos indignar. Por isso é importante saber onde aportar em busca de cultura, memória ou entretenimento. Felizmente, os serviços de checagem de noticiário têm trabalhado cada vez mais e o consumidor ajuda a cobrar que as grandes marcas não anunciem em veículos mentirosos, mas ainda estamos longe de ter um ambiente seguro se não soubermos onde estamos no turbilhão informacional.

Quando a Internet era mato, muitos investiam em criar castelos de informação. Sítios. Eu tive um “lote” em Atenas (a cidade de Geocities). Tudo isso não existe mais: o site de receitas não é mais um livro com páginas virtuais, mas um fórum em que os fãs fazem o trabalho do editor e a qualidade frequentemente é pior que profissional; o blog de ciência pode estar cheio de opinião, os veículos jornalísticos vendem anúncio para coisas suspeitas e as grandes marcas anunciam em páginas de fake news. É um solo viscoso. Com a ascensão das redes sociais e os buscadores embutidos, temos delegado a organização do noticiário e das fontes de pesquisa a algoritmos baseados em popularidade ou em nossa bolha de relações, o que empobrece nossa relação com o conhecimento.

Eu morava em geocities.com/Athens/Parthenon

Nos tempos de Geocities, eu achava que construiria um castelo sólido. Talvez, se desmoronasse, os Internet Archives da vida prometem guardar tudo o que existiu, não é?
Geocities acabou, Wayback Machine et al não guardam páginas desimportantes como várias daquelas que eu amava e hoje procuro rever sem sucesso. Stories simplesmente desaparecem; quero informação perene.

Essa deveria ser a introdução a meu blog velho, mas na verdade é o mais importante que tenho a dizer. Comecei em 2010 um informativo virtual, com uma visada que variava do acadêmico ao jornalístico, tratando temas que ampliavam de leve a abordagem que eu levara ao jornalismo cultural na Folha de S.Paulo, achando que formaria uma massa de fãs. Não. Mas serviu para guardar várias informações que eu mesmo acabei querendo consultar ao longo dos anos (“qual era mesmo o nome do filme/autor mesmo? Ah, fiz uma piada com isso no blog”). Serviu para anotar algumas de minhas referências favoritas. Filosofemas mal desenvolvidos não criam textos necessariamente perenes, mas vale a pena tentar transcender o efêmero. Passei a escrever para mim, sim, mas ainda querendo ajudar quem aportasse ali à deriva no mar da informação e seus tsunamis de interesses.
Com esta série de posts em meu aniversário, o blog ultrapassa 100 publicações. Espero que, quando eu tiver de largar esse serviço gratuito um dia, eu consiga guardar e levar alhures meu acervo sem muito dano.
Meu testemunho visa a convencer você, leitor, da importância dos sítios, em oposição às redes furadas (servem para descansar e outros fins, claro). Eu plantei em dez anos algumas palavras. Espero que os frutos do meu sítio sejam úteis para quem visita; eu mesmo já me servi deles várias vezes.
Por favor, avise quando encontrar links quebrados ;^D
Meu sítio (desde 2010):
https://alegoriadigital.wordpress.com

Sítios que o autor recomenda (tive de atualizar para escrever este post, hehehe)
https://alegoriadigital.wordpress.com/sitios-que-o-autor-recomenda/

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